21.9.19

SER UM FRUTO DO BEM

Abandonada pela sua mãe, a pequena frutinha ficava estática no gramado. Como pudera aquele ser de grandeza colossal abandonar uma filha tão frágil assim? Não muito tempo depois, um raio atingiu sua mãe em cheio, picando-a e jogando-a por toda a paisagem. A frutinha pensava: “talvez ela merecesse isso, afinal, abandonou-me”.

Décadas depois, a frutinha tinha se tornado uma árvore maior do que sua mãe jamais fora. Junto com o tempo, veio a sabedoria. Ela guardava todos os frutos ruins para si, pois eles ainda não estavam prontos para serem espalhados, e jogava os melhores frutos para todos os lados, distribuindo tudo que existia de bom em si pelo mundo. Sabia que os frutos que eram jogados ficavam tristes e sentiam-se abandonados, como ela mesmo fizera em sua infância, mas também sabia que um dia eles compreenderiam tudo e seriam gratos.

Dois dos pequenos frutos que se encontraram no chão trocaram olhares. Um deles, curioso, perguntou ao outro: “o que de bom você vai espalhar pelo mundo?”.

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