27.9.19

ESSÊNCIA 1/3

O velho rio fora alertado pelas árvores que o cercavam na margem, mas ele não acreditou nelas, acreditou na aparência daquele cano límpido.

A inauguração do cano foi levemente conturbada, afinal, tinha sido o primeiro fluxo de água, trazendo muita terra. Não muito tempo depois a água tornou-se cristalina. E o rio já pensou “como um cano tão belo como este poderia fazer as atrocidades que as árvores dizem?”.

Uma semana depois começaram a surgir lixos estranhos, lixos que foram vistos pela primeira vez naquele rio, assustando a quase todos que por ali se encontravam. As únicas que estavam preparadas eram as árvores, elas sempre ouviam histórias de suas irmãs, histórias nas quais canos como aquele (aparentemente inofensivo) eram instalados e poluíam os arredores.

As árvores compreendiam que a aparência pode até dissimular a intenção de um ser durante um intervalo de tempo, mas, após tal período, o ser regredirá a sua essência.

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