28.3.19

O Sumiço da Felicidade


O Detetive sentou-se sobre o carpete para conversar com a trigésima primeira testemunha. O caso fora aberto a exatos quatro anos e fora nomeado "O sumiço da felicidade".

Resumiu para a testemunha o caso:

Minha primeira testemunha foi uma mulher que estava gargalhando na rua. Encontrei-a um dia após eu me dar conta de que a felicidade havia sumido. Ela me disse que a felicidade estava em sua casa. Pois eu fui com um mandato e vasculhei toda a casa: sala; cozinha; quarto; banheiros; e até carros que estavam na garagem. Não encontrei nada da felicidade.

Minha testemunha de número cinco era um garoto de não mais de nove anos. Deu uma pista que também não me levou a lugar algum, "a felicidade estava em sua namoradinha". Por obrigação do serviço, interroguei-a por inteiro, mesmo sabendo que a felicidade não estaria ali.

A vigésima sexta testemunha foi a que me deixou mais próximo de encontrar a felicidade. Uma senhora de cinquenta e três anos contou que sempre encontrava a felicidade no parque da cidade, parque no qual ela alimentava os pombos, via as crianças brincarem e comia um algodão doce. Pois eu fiquei por cinquenta e oito horas seguidas de tocaia para tentar capturar a felicidade, mas novamente ela não apareceu.

A testemunha deu um leve sorriso e disse para o Detetive:

Mas Detetive, a felicidade de uma pessoa pode não ser a felicidade de outra, a felicidade está dentro nós.

Dizendo isso, colocou levemente seu dedo indicador sobre o nariz do detetive. Imprevisivelmente, o contato do dedo com o nariz gerou uma transmissão de corrente elétrica, dando uma sensação choque no dedo e no nariz. O Detetive se assustou, dando um pulo para traz.

Mas logo em seguida ele achou aquilo engraçado e deu uma risada discreta. Após alguns segundos de uma risada baixa, soltou uma gargalhada, pois ali ele havia encontrado a felicidade que procurara por tanto tempo.

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