O Detetive sentou-se sobre o carpete para conversar com a trigésima
primeira testemunha. O caso fora aberto a exatos quatro anos e fora nomeado "O
sumiço da felicidade".
Resumiu para a testemunha o caso:
― Minha primeira testemunha foi uma mulher que estava gargalhando
na rua. Encontrei-a um dia após eu me dar conta de que a felicidade havia
sumido. Ela me disse que a felicidade estava em sua casa. Pois eu fui com um
mandato e vasculhei toda a casa: sala; cozinha; quarto; banheiros; e até carros
que estavam na garagem. Não encontrei nada da felicidade.
― Minha testemunha de número cinco era um garoto de não
mais de nove anos. Deu uma pista que também não me levou a lugar algum, "a
felicidade estava em sua namoradinha". Por obrigação do serviço, interroguei-a
por inteiro, mesmo sabendo que a felicidade não estaria ali.
― A vigésima sexta testemunha foi a que me deixou mais
próximo de encontrar a felicidade. Uma senhora de cinquenta e três anos contou
que sempre encontrava a felicidade no parque da cidade, parque no qual ela
alimentava os pombos, via as crianças brincarem e comia um algodão doce. Pois
eu fiquei por cinquenta e oito horas seguidas de tocaia para tentar capturar a
felicidade, mas novamente ela não apareceu.
A testemunha deu um leve sorriso e disse para o Detetive:
― Mas Detetive, a felicidade de uma pessoa pode não ser a
felicidade de outra, a felicidade está dentro nós.
Dizendo isso, colocou levemente seu dedo indicador sobre o
nariz do detetive. Imprevisivelmente, o contato do dedo com o nariz gerou uma transmissão
de corrente elétrica, dando uma sensação choque no dedo e no nariz. O Detetive
se assustou, dando um pulo para traz.
Mas logo em seguida ele achou aquilo engraçado e deu uma risada
discreta. Após alguns segundos de uma risada baixa, soltou uma gargalhada, pois
ali ele havia encontrado a felicidade que procurara por tanto tempo.
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